Por: Raquel Alves
Um
dia desses fui “pega de surpresa” por uma atividade proposta pelo professor em
sala de aula: escrever uma crônica que abordasse a violência nos esportes. Para
mim, este é um tema muito complexo de se falar, pois o que circunda tal assunto
é um desenrolar (ou enrolar?) de várias outras teias de questionamentos e
indagações, que não sei se terei competência suficiente para desenrolar ao
longo do texto. Mas não custa nada tentar, não é mesmo?
Lançado
este “desafio”, pensei em pesquisar mais a respeito, me basear nessas
informações colhidas e na minha própria vivência de mundo. A primeira pergunta
que me veio a cabeça é qual a definição mais “abrangente” ou quem sabe, o
conceito da palavra “violência”? Se bem que, eu acredito que esse conceito até
hoje seja suscetível de mudanças.
Segundo
o site www.significados.com.br,
“Violência significa usar
a agressividade de forma intencional e
excessiva para ameaçar ou cometer algum ato que resulte em acidente, morte ou trauma
psicológico”, sendo a
mesma manifestada em diferentes formas.
No final, todos os estudos em
suas mais diversas áreas, tentam ainda desvendar os inúmeros conceitos, por
quês, justificativas que impulsionem o homem a cometer tal ato. Já dizia
o filósofo Jean Paul Satre que “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta,
é sempre uma derrota”. Carl Gustav Jung,
famoso em contribuir com seus estudos no campo da psicologia, afirmava que “Onde acaba o amor têm início o poder, a
violência e o terror.” Esta é para mim, a síntese de todo questionamento
que gira em torno do assunto violência.
O
fato é que simplesmente chegamos a um ponto, que estamos anestesiados e
catatônicos a violência, pois convivemos com suas diversas manifestações
cotidianamente. Ela já quebrou todas as barreiras e invadiu as nossas vidas em todos
os sentidos: na escola, na família, nos relacionamentos, etc. Não seria
surpresa também, que invadisse as quadras/campos dos nossos jogos prediletos,
invadisse a mente dos jogadores, torcedores, enfim, pessoas como tantas outras
mais.
Para
se ter um pequeno exemplo, façamos um recorte e foquemos no Futebol. O que era
pra ser um jogo pacífico, com base na ética, no companheirismo, no respeito
para com os seus semelhantes, muitas vezes se converge em uma tragédia,
principiada pela violência contra as pessoas que estão naquele local com a
finalidade de mostrar o seu amor ao time, para transmiti–lhes boas vibrações e
se emocionar com os gols de seus jogadores prediletos.
Os
relatos de atos de violência estão estampados nas capas de jornais, revistas,
internet, e não diz respeito só ao Brasil: é uma problemática que atinge o
mundo inteiro! Mantendo o centro das atenções em nossa região, nas minhas
pesquisas, me deparei cm uma matéria do site Lancenet.com, do mês de agosto
deste ano, “a violência no futebol
nordestino já matou 13 pessoas”, dados estes, que colocam a nossa região em
um lugar classificatório vergonhoso, no ranking da violência nos esportes. Isso
é um absurdo, meu Deus!
Já
na matéria do jornal O Povo, no mês de abril, intitulada “A violência n
futebol: De quem é a culpa?”, o sociólogo César Barreira, fala que “Estamos
vivendo uma situação onde é difícil acabar. Luto pra que ela, a violência,
tenha controle. Espero conseguir...”
O que resta a
aqueles que tentam preservar suas vidas, e mesmo assim estão desejosos por
assistir uma partida de futebol? Esses mesmos torcedores se vêem forçados a
ficarem reclusos entre as quatros paredes de sua casa, com os olhos fixos em um
monitor de TV ou no computador, assistindo o seu jogo predileto, ou quem sabe
ainda, “colar” seus ouvidos no rádio, fechar os olhos e imaginar a partida,
conforme ela é narrada pelo radialista.
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