Um veneno em seus olhos azuis escapa em forma de lágrimas
Semblante de eterna tristeza esculpida desde o ontem
Quando já oferecestes toda a dignidade em troca de amor
Dizem que é gélido seu toque, coração de boneca
Mas sinto o calor pulsante e o sangue a escorrer em meus dedos
Dizem que não há vida, mas por detrás dessa pele
Eu um dia ouvi batidas e sopros que provaram o seu constante caminhar na Terra
Uma dívida a arcar em sete vidas, olhos de corvo em um banquete
Semblante de agonia imersa em pecados de anjos caídos
Quando a noite se alastra em seu vente e você pede para esquecer
Dizem que é dura a memória que resisti em machucar você
Mas sinto que nunca esteve tão bela, boneca decadente
Dizem que o sino anuncia a chegada de seu funeral
Eu um dia posso jurar que esqueci a fragrância de sua existência na Terra
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