Rastejando, rastejando sobre os cacos de vidros
Ferindo, ferindo a alma em cada grito maldito
Ecoará nas profundezas de seu coração o arrependimento
Como chamas vivas há de marcar a minha pele
Se eu estive procurando o sofrimento?
Vigiando, vigiando na calada da noite seu suspiro
Pensando, pensando em dizer meu último adeus
Adormeço em uma única prece de não mais acordar
Me tire desta vida antes que seja tarde demais
Se eu estive cavando minha sepultura...
Chega de fingir que tudo está bem
Não percebes o quanto estou acabado, acabado nessa miséria
Os anos dourados nunca virão em uma era de corrupção
Marchem, soldados infernais, eis o tambor anunciador
O fim de todos nós chegará ao romper do trovão
Dividindo, dividindo as sobras com os porcos
Iludindo, iludindo cada pesadelo disfarçado de lembranças
Estarei tão louco a ponto de não mais ser digno
De que uma mão caridosa possa novamente me erguer?
Se eu estive procurando o sofrimento
Eu encontrei mais do que enigmas
Chega de fingir que tudo está bem
Não percebes o quanto estou acabado, acabado nessa miséria
Os anos dourados nunca virão em uma era de corrupção
Marchem, soldados infernais, eis o tambor anunciador
O fim de todos nós chegará ao romper do trovão
Rasgando as nuvens em sua ira
Grite o mais alto e atinja meu coração
O trovão, o trovão há de me dizer lamúrias?
O trovão, o trovão meu urro inaudível!
Cale-se, pelo amor de Deus
De suas esmolas eu não preciso mais
Volte para sua vida e me deixe em paz
Com meu imortal desejo de dormir
Ao som do trovão!
0 Comentários