“Se não encontrarmos esta criança até os 15 anos, o
espírito de Chaos dominará o corpo dela e logo levará Tolios à destruição
total.”
Tais palavras proferidas pelo sacerdote amedrontaram ainda mais o espírito do
rei.
Em um lugar desconhecido por mim, que
era chamado de Terra, um grande espadachim Mr.Ninkal,
nota um fato estranho atrás do Templo do Buda: um raio imenso atravessa todo o
local, de um canto ao outro, chamando a atenção do mestre que caminhava como se
estivesse sendo instruído por alguém a percorrer aquele espaço, sendo guiando
até mim. Espantado, o mestre me toma em seus braços acolhedores, pega o
medalhão e tenta ler o bilhete escrito por Kasuro, porém a linguagem é
completamente desconhecida.
“Pequena
criança, quem teve a coragem de abandonar uma criatura tão pequenina como você?
E o que este bilhete significa? Estes códigos são completamente indecifráveis.
Verei se na minha biblioteca tenho algo que se pareça com esse idioma.”
Ele caminha de volta a sua academia
de artes marciais, e ao chegar prepara uma refeição para mim. Eu chorava
demais. Meu choro poderia ser de fome, tristeza, solidão, medo... O que me
lembro é que dormir profundamente e nem percebi que um olhar curioso de uma
menina me observava do canto da porta semiaberta. Enquanto isso, o mestre observa
curioso o idioma do bilhete.
“O que isso significa?”, perguntava
insistentemente sem obter resposta alguma, a não ser o uivo de ventos que
atravessavam a janela. De repente, Ninkal adormece e sonha com um rapaz me
chamando de Sahui. E, esse nome fica fixo em sua mente a noite inteira...
Assim que
acordou, Ninkal passou no meu quarto, e viu que eu ainda continuava adormecida.
Seguindo até o quarto de sua filha, que se chama Selene, ele percebe um choro
raivoso...
“Quem é aquela menina? O que ela faz aqui?”
“Porque você está assim com tanta raiva?”
“Eu quero saber por que você não falou comigo ontem?”
“Minha querida, me acompanhe.” Ele pegou em
sua mão e caminhou até o meu quarto. “Essa
é sua nova irmã! O nome dela é Sahui. Eu a encontrei sozinha perto do templo do
Buda e a trouxe aqui. Agora Selene, cuide dela porque agora eu tenho uma aula e
acredito que os meus discípulos estejam ansiosos nesta hora.”
“Ok. Mas você promete uma coisa? Que sempre vai me
amar, que essa desconhecida nunca ocupará o meu espaço em seu coração?” As palavras
saíram como um soluço de dor.
“Você e ela terão espaços definidos em meu coração!” E antes de
sair, o meu pai adotivo, beija a testa de minha nova irmã.
Passaram-se
muitos dias desde então, porém Selene cada vez mais sentia ciúme da relação
entre eu e o mestre Ninkal. Ela um dia chegou a desabafar ao seu amigo de
escola, um garoto chamado Dimmy a respeito
desse momento de sua vida, que com certeza mudara drasticamente:
“Desde
que essa menina chegou aqui em casa, meu pai não desgruda dela nem um só
minuto! Ele não liga mais pra mim. Além disso, ele vai treinar e me deixa como
babá daquela bebê chorona!” Dimmy olhou para mim e sorriu. Ele era uma pessoa
bastante simpática, além de ser o melhor amigo dela. Ele pensou nas palavras
certas para responder aquele questionamento:
“Selene, você já cresceu, você tem 7 anos e não
precisa de tantos cuidados como um bebê. Do mesmo jeito que ele cuidou de você,
ele agora cuida dela.” Realmente Selene era uma pessoa difícil de ser
convencida do contrário, mas conforme o tempo passava, Selene começou a mudar
de ideia a meu respeito, e fomos nos tornando verdadeiras irmãs.
Dois anos se passaram desde o momento
em que eu cheguei a Terra. Eu já estava com 2 anos
de idade, Selene com 9 e Dimmy com 10. Um dia, enquanto minha irmã Selene estava
voltando da escola, ela encontrou mestre Ninkal desmaiado na sala. A primeira
reação natural dela foi gritar... Selene gritava feito uma louca, pedindo
ajuda. Logo, alguns vizinhos vendo o ocorrido, não hesitaram de ligar para a
ambulância, que chegou rapidamente e fez todos os procedimentos possíveis,
levando o meu pai, em seguida, para o Hospital Central de Tóquio. Uma senhora
cujo nome não me recordo, ficou cuidando de mim, enquanto Selene, seu amigo
Dimmy e alguns discípulos da Academia do Dragão
Renascente passaram a noite no hospital.
Os dias foram passando e Ninkal
piorava. Os médicos não sabiam que doença estava o matando pouco a pouco, e
muito menos, que tipos de medicamentos poderiam administrar para um melhor
resultado diante do estado crítico de saúde de meu pai. De repente, Ninkal
acorda.
“Selene, filha...”
“Pai, o que foi? Você está bem?”
“Me escute, Selene: Você foi uma boa filha, apesar
desse seu gênio! Você e Sahui são pessoas especiais. São carne e unha, corpo e
alma, às vezes água e fogo. Não é a toa que esses sinais em seu corpo as unem.”
Ele
olha para Selene, que esconde debaixo da gola da blusa, bem ao redor de seu pescoço,
alguma espécie de tatuagem desde a nascença, quase semelhante a minha. “Você foi entregue a mim por pessoas
desconhecidas, que te renegaram por você ter nascido com este sinal. Assim
aconteceu com Sahui. Por não entenderem o porquê dela ter nascido com esta
marca, com certeza também a abandonaram.”
“Pai, poupe suas energias...” Selene
interrompe as palavras dele, preocupada com o seu estado de saúde do que realmente
tentar encaixar uma peça do quebra-cabeças de sua própria história. “Eu vou chamar os médicos.”
“Não! Por favor, me escute. Eu não tenho muito
tempo: quando você voltar para casa, vá até meu quarto, abra a última gaveta do
armário à sua esquerda e pegue uma caixa amarela. Nela tem um presente especial
que é de Sahui. Entrega a sua irmã quando ela fizer 15 anos. Você cuidará dela
assim como eu cuidei de você. Promete a mim, promet...aaa...” As palavras de
Ninkal começaram a transformar-se em suspiros, a medida também que os olhos
dele foram se fechando. Eu não gostaria de estar no lugar de Selene, até porque
sei que tipo de dor se apossa da gente, pois experimentei essa dor da pior
forma possível, ao ocasionar a morte de minha mãe em meu nascimento.
Selene permaneceu
no canto da cama imóvel, até que começou a gritar chamando o médico, ao
perceber que nosso pai adotivo não se mexia mais. Os médicos entraram, e
pediram para que Selene deixasse aquele recinto, mas já era tarde demais. Não
tinha mais nada que pudesse ser feito para reverter à situação: mestre Ninkal
morreu. Uma onda de dor nos envolveu, como um abraço mortal de uma serpente que
esteve nos observando durante muito tempo, só esperando a hora certa de dar o
bote.
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