Vamos falar sobre Suicídio



Não escrevo este artigo com linguagem médica ou entendimentos profundos sobre o tema Suicídio. Muito menos escrevo de forma acadêmica ou jornalista. Faço isso imaginando uma conversa, um debate de um ser humano com outro ser humano. É preciso, primeiramente, perder o medo de falar sobre este tema, que não deve ser motivo de ocultamento social, vergonha ou silêncio. Se faz necessário, especialmente este mês dedicado a discutir sobre o Suicídio, conscientizar as pessoas que estão passando por algum problema que, por acaso, incline-se a futuras tendências suicidas: Você não está sozinho (a)! Procure ajuda o quanto antes! Procure alguém para, mais do que ouvir um desabafo, possa ajuda-lo (a) mentalmente, fisicamente e espiritualmente a se reerguer e continuar batalhando pela vida.

Lembro-me de uma frase de Augusto Cury: “Quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer matar a dor, mas nunca a vida”.  Todos amam a vida, mesmo com as suas dificuldades. E quem não tem dificuldades? Você merece viver pelo simples fato de que foi depositado em ti, a dádiva divina da vida! Você merece viver pelas pessoas que realmente amam você!

Deixo aqui, links alarmantes de reportagens que nos mostram o aumento da taxa de suicídio entre os brasileiros.





As causas são diversas, assim como a escolha do público que será sua vítima, independente de cor, raça, sexo, religião, classe social, escolaridade... No final, são todos seres humanos que trazem problemas ou traumas biopsicossociais  (doenças como ansiedade, estresse, depressão, síndromes, problemas pessoais, financeiros, saúde, amorosos, perda de entes queridos, consumo de drogas etc que intensificam ainda mais as sensações de que a pessoa não é mais importante no mundo e que deve desapagar-se da vida, através da morte no suicídio. E nesse caso, se a ajuda não vier logo, poderá ser tarde demais...

A própria cultura, em suas determinadas instâncias sociais/religiosas foram responsáveis por uma negativação ou demonização do ser suicida, tachado desde de louco a possuído pelo mal, cujo atentado à vida levaria a sua alma a condenação no inferno, ao castigo do fogo eterno. Isso produziu, com certeza, um preconceito a este tipo de sujeito, que sempre é estigmatizado, motivo de vergonha familiar, gerado pelo não conhecimento da complexidade do que é o processo de suicídio.

Discussões diversas no ambiente científico/médico (psicologia, psiquiatria, etc), nas religiões, espiritualidades e filosofias de vida, nas artes (pintura, música, cinema, literatura, animês, etc) trazem suas contribuições para entender todo esse processo: quem é esse sujeito, como a sociedade deve ajudar, e outros questionamentos que servem para repensar sobre esta temática.

O sociólogo Émile Durkheim afirma que o suicídio é visto como algo pertencente ao fato social, que pode ser definido como a maneira de ser, de pensar e de agir do indivíduo (In: QUINTANEIRO et al, 2003). O estudo de Durkheim analisa a relação e o “grau de envolvimento do suicida com a sua sociedade” (LAMBDA, s/d, p.03). Mesmo no ato individual do fenômeno, “é ainda a sociedade que está presente na consciência do infeliz e o leva (...) a este ato solitário” (ARON, s/d, p. 298).

No Brasil, o número 188 conta com pessoas especializadas para ouvir você: trata-se do Centro de Valorização da Vida.

Para mais informações, acesse: https://www.cvv.org.br/.

Ocupara a mente com coisas além do trabalho, estudo ou domésticas, é importante: faça um exercício físico, plante uma árvore, adote um bichano, faça aulas de dança, pintura, música ou teatro, converse com um psicólogo sério, escreva um diário ou qualquer história... tire do seu interior aquilo que te faz sofrer e seja feliz a todo instante. Pratique este exercício. Você merece dar esta oportunidade a si mesmo. Você é mais forte do que pensa. Tenha certeza disso!

É importante destacar, por último, o papel da família e amigos quanto ao respeito e acolhimento deste ser. Tratamentos dos mais diversos tem um prazo longo. A “cura” do corpo e do espírito/alma nem sempre é efetiva. É preciso diariamente demonstrar o amor, o zelo, o cuidado para com este ser, que precisa de toda atenção, mas também de incentivo de superação e de autonomia, de que pode ainda ser dono (a) de sua vida!

Não estou querendo dizer que o sujeito será um eterno doente, mas chamo a atenção para a luta diária deste ser para continuar vivendo, que ganha mais força quando a família e os amigos estão do seu lado.

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Referências:

LAMBDA, Maxwell. Suicídio e Sociedade. PUC Rio. Disponível em: http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/9186/9186_4.PDF. Acessado em 13 de fevereiro de 2014.

QUINTANEIRO, Tânia; BARBOSA, Maria Lígia de Oliveira e OLIVEIRA, Márcia Gardênia Monteiro de. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Editora UFMG. Belo Horizonte, 2003.


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