Capítulo 8:Sacrifício

Abri numa parte interessante do diário da paranormal Kassandra: especificamente a que falava da noite de hoje, caso ainda estivéssemos na floresta, o que eu desejei ardentemente que não foi possível estar aqui. Para a nossa sorte, na noite anterior nada aconteceu. Esse era o segundo dia que estávamos aqui, e segundo o diário, poderia ser o pior. 

Não que o histórico tradicional dessa festividade tivesse alguma ligação com o mal. Mas, aqueles direcionados ao mal, nessa Noite das Bruxas, ganhava ainda mais força em seus rituais: a linha tênue do mundo dos espíritos, demônios, bruxas e do mundo dos vivos fica ainda mais fraca, onde cada um pode transitar livremente, e se isso acontecesse em uma floresta com intensos relatos sobrenaturais durante quase todo tempo do ano, imagina nesse dia.

Me perguntei se Kassandra estaria viva ou se havia experimentado alguma manifestação assombrosa durante o dia de ontem. Não podíamos contar com o mapa. Que mapa? Estávamos, agora, apostando em nossas intuições para mostrar o caminho que seguíssemos e sair o quanto antes deste lugar. Resolvi aproveitar um riacho a vista, e pedi um tempo aos rapazes para lavar o meu rosto e sorver um pouco de água. Nossos suprimentos estavam acabando, e desperdiçar água seria uma loucura. Enquanto Paul e Tom reabastecia suas garrafas, eu e Marrie lavávamos o rosto.

"Beka, eu não quero ficar aqui nem mais um segundo. Foi um milagre não sermos atormentados mais. Não aguento respirar esse ar sufocante", disse Marrie. Contudo, senti uma tontura indesejável. Marrie notou que meu corpo pendeu para um lado. Ela me segurou para evitar minha eminente queda. 

"Você está bem?", perguntou minha amiga. De repente, Kassandra apareceu. "Puta merda! Que susto! Quem é você?"

"Você e sua amiga decidiram de uma vez por todas seguir o caminho da casa da bruxa?". Ao respirar profundo, fui recuperando os sentidos. Estendi a mão entregando o diário da paranormal, que agradeceu-me com um sorriso. 

"Ainda bem que você está bem. Pensei que algo de ruim tinha acontecido com você.", eu falei.

"Vocês se conhecem?", Marrie perguntou intrigada. 

"Acho que sim. Nos cruzamos ontem....". Não pude terminar o restante da frase. Desmaiei. 

***
Quando recobrei a consciência, me arrepiei com a cena que vi. Kassandra estava segurando uma adaga e havia marcado o meu peito com um pentagrama. Marrie estava desmaiada e ao redor dela, uma cobra deslizava em direção a aspirante de agente paranormal.

"O que aconteceu?", disse confusa.

"O primeiro sacrifício para o despertar de minha amada mestra. Simples assim. Não leu nada do diário?", falou Kassandra.

Marrie estava morta assim que me aproximei dela. Gritei alto o suficiente para que despertasse a atenção dos meus amigos.

"Maldita, o que fez?", disse. Havia também, cravado no peito de Marrie, outro símbolo que não consegui identificar. "Onde está você? Assassina!" Mas, Kassandra havia desaparecido. Paul ficou paralisado quando viu a cena.

"Mas que merda é essa!", falou Tom. Eu estava em prantos. A única coisa que falei foi a verdade. "A garota que dizia ser agente paranormal, que estava na floresta, atacou a Marrie assim que passei mal. A tal de Kassandra". Percebi que por entre as minhas roupas, estava um objeto que suspeitei ser a adaga que Kassandra usara para mim marcar e a minha amiga. Não contei nada disso, haja vista a reação de Paul:

"Sua doida maluca, confesse o que raios aconteceu aqui!". Com certeza aquela vadia assassina havia me deixado com um artefato ritualístico incriminatório e eu não deixaria com que ela fizesse com que meus amigos ficassem contra mim. Ela havia roubado a vida de minha amiga, e de alguma forma, eu iria me vingar. Se ela é uma lunática por causa da história da bruxa, o problema é dela. Mas envolver pessoas inocentes foi o bastante para que eu me enchesse de ira.

"Juro, Paul, que foi a Kassandra que matou Marrie. Olhe no pescoço dela: tem uma picada de cobra. Ela manipulava uma cobra, que a seguiu pelas sombras. Juro por tudo de sagrado que você possa imaginar."

Tom percebeu que, de fato, Marrie morreu da picada de cobra. O corte de faca foi só de raspão. Eu aproveitei e mostrei que eu havia sido marcada também. "Um símbolo de bruxaria?", indagou Tom. o ver o amigo em prantos, Tom se aproximou de Paul:

"Eu lamento por tudo Paul, mas você tem que ser forte! Por Marrie! Devemos sair daqui e dar a ela um enterro digno, porque, pelo menos, é uma dívida que temos com ela."

SIRENIA - Into The Night 



Ah, ooh, ah

Into the eye of the storm
Deception and scorn
Dark clouds form
Into the depths of the sea
I can not breathe
I'm lulled into sleep

I'm sinking deeper in a bottomless sea

(Into the night) The waves grow higher
(Into the night) Where foes conspired
Here, where all daylight gives in
(Into the night) So cold and dire
(Into the night) The moon rise higher
Here, at the end of all things

Into the lingering dark
No light in my heart
No gleam, nor a spark
Into the realms of the moon
A bright silver spoon
A dying maroon

The undertaker emerged way too soon

(Into the night) The waves grow higher
(Into the night) Where foes conspired
Here, where all daylight gives in
(Into the night) So cold and dire
(Into the night) The moon rise higher
Here, at the end of all things

(Into the dark) Les vagues se déchaînent
(Into the dark) Ou l'ennemi conspire
(Into the dark)

(Into the night) The waves grow higher
(Into the night) Where foes conspired
Here, where all daylight gives in
(Into the night) So cold and dire
(Into the night) The moon rise higher
Here, at the end of all things

(Into the night) The waves grow higher
(Into the night) Where foes conspired
Here, where all daylight gives in
(Into the night) So cold and dire
(Into the night) The moon rise higher
Here, at the end of all things

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