
RESENDE, Elle Beethoven dos Santos. Mulheres marcadas pela inquisição: a bruxa por trás de sua máscara. Belo Horizonte: Paulinelli, 2019.
Momentos de transição histórica que marcaram o matricentrismo e o patriarcalismo (este último assumindo controle e influência nas culturas): é a partir desse conhecimento inicial, que a obra do professor Beethoven demonstra como era vista a mulher e sua sexualidade em dadas sociedades, a começar pelo Egito. O rompimento de certa igualdade entre homens e mulheres neste local, ocorreu a partir de Alexandre- o Grande, que impregnou a cultura grega e seus costumes, cultura essa que via a mulher como um ser que deve ser tutelado pelo homem, uma criatura inferior.
Em se tratando da sociedade de Israel, aquela abordada no Antigo Testamento, é apresentado os contextos da sexualidade, o casamento, a situação da mulher e o patriarcalismo. Contudo, diante de análises situacionais, leis/histórias apresentadas, o autor observa que, de um lado, havia sim, um inegável patriarcalismo que subjugava a mulher à sua vontade e a enxergava como um objeto/patrimônio, contudo, também não poderia negar que as leis divinas oferecidas ao homem, de certa forma, protegiam e davam mais dignidade à mulher, desde a questão de punição ao homem que inventasse mentiras sobre a sexualidade/virgindade da mulher, por exemplo.
Na Grécia, nitidamente o patriarcalismo dividia o homem e a mulher em duas vidas: o homem era aquele que estava mais ligado às questões que envolviam a sociedade, e a mulher, restava-lhe apenas, as obrigações do lar/família/casamento/reprodução.
Em Roma, temos o ápice da mulher em segundo plano, como um objeto sem valor algum.
Posteriormente, inicia-se uma investigação das definições do termo pagão, que é essencial para a discussão sobre a Inquisição ou o Tribunal do Santo Ofício (século XIII), que esteve de forma atuante na Europa Meridional, América e Oriente, no combate ao que a igreja católica determinava como práticas pagãs e heresias.
É apresentado o panorama de como se instaurou a Inquisição, dando destaque também ao Brasil e os casos do Tribunal do Santo Ofício na perseguição aos cristãos novos ou criptojudeus, aqueles "batizados e convertidos forçosamente ao Catolicismo romano, em sua grande maioria de origem judaica". Há o esboço de quem é o sujeito inquisidor.
Compreendemos como é deturpado (pra não dizer expurgado) os ensinamentos de Cristo, tido como o messias cristão, filho de Deus, ensinamentos esses que pregavam o amor, o respeito, a igualdade de homens e mulheres, o acolhimento às diferenças e aos sujeitos marginalizados, seja socialmente ou fisicamente... tudo isso é deixado de lado por membros da igreja e se intensifica, ainda mais, a condição de pecadora e armadilha do diabo à figura feminina.
Fala-se do Sabbat, enquanto rito de colheita, e aquele presente no imaginário medieval, bem como há relatos das confissões de acusadas de bruxaria. Temos uma noção que nos leva a refletir sobre a perseguição, tortura e punições aplicadas às mulheres que eram intituladas de bruxas.
Sendo assim, é importante dar destaque à discussão do paganismo e bruxaria, explicando como foi construído o imaginário coletivo do Sabbat, do diabo e das bruxas: após o ano de 1532, os sabbats vão ser narrados como eventos de bruxas/adoradoras do demônio, com ritos nefastos e cruéis artes das trevas. Segundo o pesquisador, esses ritos inicialmente representavam cultos de cunho da natureza e suas divindades, em épocas pré-cristãs, sobrevivendo, apesar de toda a forma de tentar expurgá-lo.
Outro fator acrescido também para a Caça às Bruxas, se deu no século XV com o livro Malleus Maleficarum (Martelo das Feiticeiras), "que sintetiza toda uma elaboração cristã sobre a malignidade feminina" (p. 184).
O último capítulo trata dos instrumentos de tortura mais utilizados e relatos de pessoas vítimas dessa atrocidade praticada pelos inquisidores. É a parte mais forte do livro...
Com certeza, o livro constitui-se do pontapé inicial, cheio de referências e ilustrações para quem desejar adentrar mais no tema que é extenso e cheio de problemáticas, ainda sim, um tabu.
O pesquisador realiza esse estudo magnífico com um poder narrativo que nos permite ler sem pestanejar!
Também destaco a contribuição deste livro para quebrar preconceitos em relação ao ser feminino que até hoje pendura em nossa sociedade.
É apresentado o panorama de como se instaurou a Inquisição, dando destaque também ao Brasil e os casos do Tribunal do Santo Ofício na perseguição aos cristãos novos ou criptojudeus, aqueles "batizados e convertidos forçosamente ao Catolicismo romano, em sua grande maioria de origem judaica". Há o esboço de quem é o sujeito inquisidor.
Compreendemos como é deturpado (pra não dizer expurgado) os ensinamentos de Cristo, tido como o messias cristão, filho de Deus, ensinamentos esses que pregavam o amor, o respeito, a igualdade de homens e mulheres, o acolhimento às diferenças e aos sujeitos marginalizados, seja socialmente ou fisicamente... tudo isso é deixado de lado por membros da igreja e se intensifica, ainda mais, a condição de pecadora e armadilha do diabo à figura feminina.
Fala-se do Sabbat, enquanto rito de colheita, e aquele presente no imaginário medieval, bem como há relatos das confissões de acusadas de bruxaria. Temos uma noção que nos leva a refletir sobre a perseguição, tortura e punições aplicadas às mulheres que eram intituladas de bruxas.
Sendo assim, é importante dar destaque à discussão do paganismo e bruxaria, explicando como foi construído o imaginário coletivo do Sabbat, do diabo e das bruxas: após o ano de 1532, os sabbats vão ser narrados como eventos de bruxas/adoradoras do demônio, com ritos nefastos e cruéis artes das trevas. Segundo o pesquisador, esses ritos inicialmente representavam cultos de cunho da natureza e suas divindades, em épocas pré-cristãs, sobrevivendo, apesar de toda a forma de tentar expurgá-lo.
Outro fator acrescido também para a Caça às Bruxas, se deu no século XV com o livro Malleus Maleficarum (Martelo das Feiticeiras), "que sintetiza toda uma elaboração cristã sobre a malignidade feminina" (p. 184).
O último capítulo trata dos instrumentos de tortura mais utilizados e relatos de pessoas vítimas dessa atrocidade praticada pelos inquisidores. É a parte mais forte do livro...
Com certeza, o livro constitui-se do pontapé inicial, cheio de referências e ilustrações para quem desejar adentrar mais no tema que é extenso e cheio de problemáticas, ainda sim, um tabu.
O pesquisador realiza esse estudo magnífico com um poder narrativo que nos permite ler sem pestanejar!
Também destaco a contribuição deste livro para quebrar preconceitos em relação ao ser feminino que até hoje pendura em nossa sociedade.
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