Lançamento do livro "Lilith Negra"- parte 2: O mito de Lilith no contexto judaico-cristão


Oi pessoal. Tudo bem? O meu próximo lançamento será o livro “Lilith Negra: Símbolos culturais em um debate intersemiótico”, oriundo a partir de uma dissertação de mestrado. Durante essa semana até o dia 31/10/2019, teremos alguns posts especiais sobre essa personagem Lilith. Hoje apresento a vocês, uma explicação inicial sobre O mito de Lilith no contexto judaico-cristão:

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Apresentamos o mito de Lilith no contexto judaico-cristão de sua história: ela teria sido a primeira esposa de Adão, em algumas interpretações destas narrativas religiosas. Anteriormente, o Cativeiro na Babilônia foi determinante na fusão do mito de Lilith no mundo Judaico-Cristão, a partir do Talmude, do Alfabeto de Ben Sira, do Zohar, de Evangelhos Apócrifos e citações no Antigo Testamento Bíblico, que complementam a transformação de Lilith em demônio feminino pela desobediência ao seu companheiro, Adão.

A sua fuga e recusa de voltar a Adão, desobedecendo Deus, o abrigo em uma caverna onde se transformou em demônio, a aliança matrimonial com o inimigo de Deus e dos homens, foram alguns dos fatos apresentados no Talmude e no Alfabeto de Ben Sira, além do fato da mesma sempre ter sido a perseguidora de mães e seus bebês, destruidora casamentos, incentivando poluções noturnas e luxúrias nos jovens e ademais. 

          Na perspectiva do Zohar, ela era a serpente infame, a mãe dos demônios, sustentando ainda a ideia que Lilith incitava prazeres imundos nos seres humanos e que devia ser combatida por meio de artifícios de proteção, como por exemplo, orações.

Em se tratando da Bíblia, evidências de uma possível primeira mulher que antecede Eva, constava em Gênesis. O enfoque também foi na questão da serpente, que teve o papel de induzir o casal primordial a se afastar de Deus, cometendo o pecado que castigaria a linhagem do homem na Terra. Comentamos também algumas explicações no Livro de Jó, em Levítico e em Provérbios, bem como em certos Apócrifos, sobre sombras deste demônio feminino, ainda que possuindo outros nomes. Contudo, em Isaías 34: 15, que aparece nitidamente seu nome. Segundo Gomes e Almeida, o nome de Lilith (Lilite) pode ser traduzido:

Em português [...] por lâmias, fantasmas e por vezes Lilith. No hebraico, derivado do aramaico lilitu que na Babilônia e na Assíria significa demônio feminino. A etimologia judaica derivou Lilith do aramaico layil, que significa ‘noite’, a lua 'negra’, correspondente à lâmia negra (s/d, p. 10).

Por isso encontramos versões, que durante os processos de traduções, substituem o nome de Lilith por semelhantes nomes, como animais noturnos e seus referentes (carregados de uma simbólica digamos negativa), como na Bíblia do Rei James: the screech owl (o grito da coruja). 

       Já os Evangelhos Apócrifos confirmavam que a serpente era um ser inteligente, de características híbridas que muito se parecem com as descrições imagéticas de Lilith nas civilizações mesopotâmicas. 

      Destacamos também os filhos da serpente (um deles seria Azazel), cuja promessa de Deus feita ao casal primordial seria de que o filho oriundo da geração dos mesmos esmagaria a cabeça do filho da serpente. 

      Pela perspectiva de outras culturas já apresentadas, essa serpente infame poderia ser Lilith? Para Laraia (1997), Lilith ou Eva (a primeira esposa oficial de Adão), no final das contas, cometeram semelhante pecado, no qual reinou a desobediência, independente das justificativas:

“E foram punidas da mesma forma: todos os dias, por toda eternidade, Lilith, a mãe dos demônios tem que se conformar com a morte de 100 lilim; da mesma forma Eva é responsável pela morte de todos os seus descendentes que poderiam ser imortais” (LARAIA, 1997, s/d). 


Referência:
LARAIA, Roque de Barros. Jardim do Éden revisitado. Revista de Antropologia, vol. 40, nº 1. São Paulo, 1997.  

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