A obra Xenogenesis (1986) tem em seu primeiro
livro Dawn, o dilema do homem
despertado em um mundo recém-salvo por uma raça alienígena chamada Oankali. E como se não bastasse, para
esses mesmos humanos, uma mulher chamada Lilith seria responsável por
ensina-lhes a viver pacificamente com os alienígenas, vistos como demônios.
Presenciamos em Em Dawn, que:
Os humanos de Butler enfrentam o
confronto final com o Outro. O ímpeto desses romances é o medo xenofóbico
humano do Oankali, que fornecem a única
esperança de sobrevivência— através da mutação e uma aceitação de uma
interpretação mais ampla da designação “humana” (McCAFFERY; McMENAMIN,
s/d, p. 56) (tradução nossa).
Foi
justamente neste tocante que perguntamos o que
significava realmente ser humano, o
que constituía o seu corpo a partir de processos de hibridismos, de
identidades, da aceitação do outro
como diferencial do clássico padrão dual homem e mulher, questionamentos esses
pertinentes em uma ótica da sexualidade que habilmente Octavia E. Butler explorou em sua
obra.
Em
Aduthood Rites, segundo livro, o
destaque foi à problemática do risco da destruição humana que ainda pendura.
Falamos que a hierarquia e a inteligência foram os principais pontos
aglutinadores de uma tensão nítida entre os humanos e os Oankali, (quando juntas, não são usadas sabiamente) que no planeta
salvo graças aos alienígenas, ainda havia hostilidade e a não aceitação de
conviver com as diferenças.
Por
fim em Imago, último livro da
trilogia, o medo e ao mesmo tempo fascínio do construído humano-oankali-ooloi Jodahs foi o foco de discussão. Até quando ser
híbrido, em uma metáfora da história, conduzia a perda de identidade ou do que
vem a ser a humanidade? Essa também seria uma crítica ou eminente medo de
Octavia quanto à engenharia genética, a moldura dos seres humanos como o mais
perfeito possível, significando a exclusão ou anulação do outro por padrões reformulados, reprogramáveis, sem supostas
falhas?
Mesmo nesses seres humanos digamos
perfeitos, haveria uma condição biológica programável a despertar neles, o
caminho apocalíptico de sua autodestruição social/mundo? “Nesta terceira
novela, Octavia Butler descreve a maturação da raça de Oankali, que, no entanto, incorpora elementos das qualidades
humanas originais de Lilith: a adaptabilidade, sensação de aventura e necessidade
de busca” (Site Enotes, s/d, s/p) (tradução nossa).
Referências:
BUTLER, Octavia Estelle. Lilith’s Brood (versão epub). New York: Grand Central Publishing Hachette Book Group USA, 2000.

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