Ano: 2019
Gênero: Suspense Psicológico
Duração: 121 min/ 2 Horas
Assisti ao filme CORINGA, e
embora os comentários midiáticos e críticos de que o filme podia incitar
violência e coisa e tal, não podemos negar que traz um questionamento social e
psicológico bem profundo. Como eu não entendo muito de psicologia, sugiro a
vocês a leitura dessa resenha que traz um psicólogo avaliando o filme e o
personagem: achei bem interessante https://cinepop.com.br/psicologo-explica-porque-arthur-fleck-e-coringa-nao-sao-a-mesma-pessoa-226204
O futuro jovem CORINGA, Arthur
Fleck, sofreu maus tratos na infância, abusos sexuais, foi criado por uma mãe
adotiva incapaz (no sentido que a mesma sofria de sérios distúrbios mentais,
além de possivelmente, consumir drogas e ter uma vida não saudável, com
parceiros que abusam sexualmente de Arthur).
A cidade de Gotham, em sua
esfera política/social, não oferece condições que permitam Arthur continuar seu
tratamento, em dada etapa da vida, além de que, os sanatórios daquela época
faziam com que a pessoa saísse mais perturbada do que na época que entrou, o
que demonstra também falta de profissionalismo, sensibilidade e investimento em
uma política de saúde mental eficaz na vida daqueles sujeitos.
Uma parte dessa cena é vista
quando o prefeito corta o orçamento destinado a esse serviço e Arthur fica sem
condições de tomar seus medicamentos e continuar suas visitas semanais a sua
psiquiatra. Essa profissional também se mostrava sempre desatenta ao paciente e
ao problema mental do mesmo; as pessoas em volta ao decadente palhaço também aproveitavam
sempre de sua debilidade mental para gerar humilhações.
Como uma forma de escapar desse
caos interno, e ainda sem entender o caos externo, Arthur busca conforto e
força nesse personagem CORINGA, e assim, seus delírios adquirem poderes que o
véu da loucura e realidade já não importa.
Vemos que as pessoas que
possuem o poder de mudar parte daquela realidade “marginal” e de “loucura
coletiva” vivida pelos cidadãos de Gotham, não estão atentas a essa cidade e ao
seu povo, e as poucas pessoas que tentam alguma mudança, ainda estão longe de
saírem de seu mundo protegido por seguranças e muros para ver de perto as
mazelas sociais.
Por outra parte, um bom número
de cidadãos de Gotham, sucumbem à escuridão: também estão doentes moralmente/eticamente/espiritualmente/emocionalmente,
e em seu individualismo e indiferença, acabam abrindo espaço para aumentar a
onda de violência/caos, medo e pobreza.
Uma cidade cujas ruas, os becos,
as casas, os transportes públicos, as praças estão todos sujos e pichados, uma
cidade tão sombria como a alma dos muitos que nela habitam.
E aproveitando-se dessa
situação de fragilidade moral, de falta de orientação e do sentimento de
revolta e “desesperança”, da entrega ao sentimento de mãos atadas e de que nada
deve melhorar mesmo que a gestão administrativa da cidade mude, os anti-heróis surgem
e são abraçados como rebeldes/revolucionários que transformaram-se no novo
símbolo de resistência contra o governo:
e em seu discurso ou atos de manipulação alimentam ainda mais o ciclo de ódio,
violência e medo, ao mesmo tempo que, a marionete de pessoas que compartilham de
semelhante forma de pensar glorificam o seu novo ídolo.
Existem ainda aqueles que se
aproveitam do caos/confusão para externar o seu “instinto selvagem”, que se
resumi a destruir bens públicos e privados, colocar fogo em tudo, cometer atos
ilícitos como roubos, furtos, fazer “baderna”, afrontar o sistema, onde para
eles, não há diferença entre quem tem culpa e quem não tem culpa, todos pagam,
e priva-se a liberdade do outro de ir e vir.
Com certeza, como falei
anteriormente, esse mestre das marionetes é o Coringa e as marionetes constituem-se
nos cidadãos que o seguem com o pensamento de estar fazendo algo revolucionário
e que trará mudanças sociais/políticas/econômicas. Tudo que o Coringa quer é
uma sociedade do espetáculo que anseie pelo show de horrores que ele está
disposto a ser o anunciador, além de falsos risos, oprimidos pela vontade de
gritar de terror, diante das tramas que passam na cabeça desse
criminoso/psicopata/sociopata ou sei lá o que as leis e os médicos dirão desse
homem.
E o que o Coringa faz diante de
tudo isso? Ele apenas rir de seus seguidores, pois para ele: “a vida é uma comédia”!


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