#SegundaDaPoesia- Desabrigada

 

Eu poderia ter esperado o próximo outono para me decidir,
Mas o relógio não permite o ponteiro girar mais uma vez
Eu apenas poderia sentar em frente a uma lareira vazia
E esperar a água saciar uma sede sem fim de desejos

Eu gostaria que você me tocasse como nunca tocou ninguém
Eu gostaria de estar confortável em seus braços quentes mais uma vez
Mas estou desabrigada

Como uma música desafinada em uma história macabra
Eu transito em diferentes mundos onde sou tudo
Um ser oprimido procurando a dança dos vagalumes sem luz

Eu gostaria de dar um presente eterno a você, bem dentro de mim, a promessa restaurada
Agora foi quebrada em invisíveis pedaços, uma perdida poeira cósmica
Eu arrasto as sobras do que fui pela floresta
Eu insisto em buscar o perigo, me perder longe de você, alguém quer usar minha alma?

Mas estou desabrigada (sem o lar do amor)
Mas estou desabrigada (sem o lar do amor)

E tudo que me resta é sentar nessa cadeira até ser abraçada por ser meu amado...



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