Dentre as concepções estudadas sobre
o que é Identidade, enfatiza–se que é o conjunto de dados em um documento que
fazem parte do processo de reconhecimento desta pessoa como cidadão, como
também a Identidade é a soma das características que constituem o ser humano.
Em se tratando dos documentos, estes
tentam retratar o que somos para a sociedade, mas às vezes, não condizem com a
nossa real Identidade e transforma–se numa forma de delimitar um grupo ao qual
pertencemos. Quando se estuda a fundo o que é Identidade, temos a compreensão
de que vai muito mais além da função de delimitar o sujeito.
Já no texto “Fragmentos do discurso
cultural: por uma análise crítica do discurso sobre a cultura no Brasil”,
define–se que a Identidade de um povo está também representada em seu caráter
nacional/ regional/ étnico/ classe social, etc, correlacionado com os estudos a
cerca da cultura, já que a mesma é uma forma ‘identitária’ de um determinado
povo.
A Identidade refere–se a uma
particularidade e difere–se do pertencimento, que tem haver com o coletivo, aos
diversos grupos do qual fazemos parte, segundo o texto “O que é identidade?” de
Michel Serres.
Em sala de aula, o trabalho proposto
teve como mote ‘Qual é a tua?’ e os
grupos foram divididos em: vídeo, blog, texto e fotografia. Me inseri no grupo
de texto, em virtude do meu gosto por escrever.
Baseado
na idéia central do trabalho, fiz uma poesia intitulada ‘Identidade’ (ver anexo
1). É inegável os questionamentos feitos
por nós, em um dado momento da vida, no qual ressalta–se a pergunta ‘Quem nós somos?’. A poesia mostra o
dilema de uma pessoa que busca descobrir o que realmente é – já que este
processo de busca faz parte da construção da nossa Identidade–, o que sente, o
que pensa, o que deve fazer, qual o significado de sua existência num mundo que
ao mesmo tempo que é encantador, também é sombrio.
É possível acompanhar ao longo dos
versos, os passos dessa ‘pessoa’. Percebemos que o personagem também nega o que
é ‘escrito no papel’, pois apenas um documento não representa o ‘todo’ que você
é; há uma reflexão sobre os antagonismos da vida, como também aponta para a
consciência humana que deseja assumir quem de fato é; e por fim, descreve o
processo de construção, reconstrução e destruição das identidades que moldamos
ao longo do tempo.
Na seqüência (anexo 2), a poesia ‘Um sem nome’ relata qual a identidade
desses indigentes que vivem nas sombras, escondidas da sociedade, sem família,
amigos e que depois de passar tanto tempo sendo esquecidos na vida, ainda
permanecem esquecidos quando mortos.
A idéia sobre fazer uma poesia sobre
os indigentes está ligada ao questionamento de como é construído suas
identidades. Os indigentes são pessoas que estão na ‘rua da amargura’,
suportando a dificuldade de sua própria existência, que logo ao nascer, muitas
vezes lhe é negado o direito de ter uma certidão de nascimento, tido como “o primeiro
passo para o pleno exercício da cidadania”.
Essas pessoas vivem nos becos das ruas, sua moradia até o
resto de seus dias, sobrevivendo por um milagre divino, sobrevivendo por
mendigar, por roubar, por se drogar, por se prostituir, por furtar, por sonhar
com oportunidades de um futuro melhor, onde possam exercer o direito de ter uma
cidadania, de escrever outra página de sua história, já que as anteriores estão
demarcadas por borrões e vazios de uma vida marcada pela inexistência, dor,
solidão, preconceito e ignorância, no qual eles mesmos não têm a consciência de
sua própria história, de sua origem.
Quando são
vítimas da vida, do destino, da violência, permanecem sem identidade,
sepultados em algum lugar, e acima de seus corpos permanecem apenas uma ‘cruz’.
Nunca terão alguém para chorar a sua falta, para perfumar o seu sono eterno com
rosas, para rezar pelo perdão de sua alma... A única lei que rege a vida
daqueles que compartilham tal sina é o esquecimento.
Vejas as poesias nesse link
REFERÊNCIAS BIBLIOGÁFICAS:
JUNIOR,
Durval Muniz de Albuquerque. Fragmentos
do discurso cultural: por uma análise crítica do discurso sobre a cultura
no Brasil. Disponível em http://www.cchla.ufrn.br/ppgh/.../fragmentos_discurso_cultural.pdf
0 Comentários