Era uma noite silenciosa e fria. O
relógio bateu meia-noite e um calafrio passou pelo meu corpo. Não era a noite
que eu temia. Era as expectativas da nova escola que eu mais temia. Tudo novo,
pessoas novas, mentiras novas... Decidi que era melhor dormir e espantar os
medos só por hoje, porque amanhã começaria um novo dia. E toda noite, eu rezava
para que realmente fosse um novo dia, mas cada dia parecia repetir as mesmas
histórias de antes. Era como se a fita cassete de minha vida não tivesse fim e
isso me matava...
Tentei
contar carneirinhos, mas não adiantou. Então, como uma ninja, me levantei da
cama e fui para a cozinha, assaltar a geladeira. Quando eu ficava nervosa, eu
comia muito, porém a genética de meu corpo me ajudava a não refletir os
resultados de minha impaciência e nervosismo.
“Droga
de tempo que não passa! Ou melhor, por que não para nesse exato momento e me
congela, congela somente a minha vida?” Acho que estava sendo extremista
demais. Um riso baixinho escapou, enquanto eu comia o meu 4º pacote de batatas
fritas. Sentei-me no sofá e como um passe de mágica adormeci, livre de todos
aqueles pensamentos que me impediam de sonhar.
“Ei,
dorminhoca, é hora de acordar.” Eu praticamente pulei do sofá da sala, deixando
à vista, as provas de meu crime de ontem à noite: sacos e restos de batatas
fritas no sofá.
“Você
sabe que é proibido comer algo à altas horas da noite, mocinha...”, disse minha
mãe.
“Eu...”
“Não
invente mentiras, você não é boa nisso. Vá se arrumar para ir à escola. Faça
como a sua irmã Tessy que já está arrumada.” Me espreguicei
e forcei um sorriso, que não saiu natural. Minha irmã fez uma careta e foi para
a rua desfilar o seu novo modelito. Tomei um rápido banho, vesti meu moletom
azul e uma calça jeans básica. Comi meus cereais com leite, peguei a mochila e
fui com minha irmã para a parada de ônibus, que ficava algumas quadras de onde
morávamos.
1 Comentários
Com certeza. Espero que você goste do desenrolar desta história. Toda terça-feira terá capítulo novo. ;) Xero
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