“Você tem visita. Pelo menos, se arrume.
Você deve estar com uma cara péssima, menina!” Minha mãe invadiu o meu quarto,
que estava destrancado.
“Visita?
Quem é?”
“Um
tal de policial Lin. Ele trabalha com seu pai. Vai logo se arrumar, que por
enquanto eu fico fazendo companhia a ele.” Levei um baita susto. O que Lin
queria comigo? Por que estava aqui? Minha cara estava super vermelha de
vergonha. Escovei meus dentes, lavei meu rosto e peguei meus óculos reserva. Eu
sempre fui um pouco precavida: quem tem dois, tem um, não é? Mas eu estava um
desastre! Eu nunca me senti tão feia como hoje. E pra incrementar ainda mais o
visual, meu cabelo estava super armado. Fiz um rabo de cavalo, coloquei um
pouco de gel para controlar os fios revoltosos de sempre. Vesti um vestido
azul-marinho, coloquei uma sandália básica e desci. Minha cara de sono e
preguiça foi recepcionante.
“Olá,
senhor Lin.”
“Obrigado
pela companhia, senhora Kurts. E me desculpe o incômodo.”
“Não
se preocupe, querido... Bem, fiquem à vontade, ok?” Eu estava tão sem graça...
Nunca, durante esses 16 anos de vida, uma pessoa, principalmente um homem,
tinha vindo me visitar. E mal tínhamos nos conhecido, quer dizer, só foi um
esbarrão e um super mico na delegacia. Não sabia o porquê dessa visita, mas eu
desejava do fundo do meu coração que ele fosse embora. Lin era bonitinho.
Ele tinha aproximadamente 1,86 de altura, 21 anos, pele branca, cabelos loiros
e olhos negros, além de um excelente porte físico, quer dizer, os
músculos bem distribuídos, que faziam qualquer mulher se derreter em seus
braços. E para completar, trajado com o seu uniforme de policial, era um sonho
de consumo. Mas eu não me sentia à vontade... Eu já estava acostumada com todos
os olhares voltados para a Tessy e com a solidão olhando para mim, que era
difícil de aceitar que alguém se interessasse por uma pessoa tão ‘sem sal’ como
eu. Me sentei o mais distante possível e quase desmaiei, quando reparei o que
ele segurava nas mãos: um buquê de rosas brancas.
“Pra
você. Espero que esteja bem.” Finalmente, depois de dez minutos de silêncio, um
sem coragem de encarar o outro, foi que ele tomou a iniciativa de falar. Eu me
levantei e fui receber as rosas. Rapidamente peguei-as, coloquei em um jarrinho
perto da televisão e voltei para o mesmo lugar. Minha mãe acabara de chegar, com
um sorriso estampado na cara.
“Você
é o nosso convidado para o almoço.”
“Eu
ficaria honrado, senhora, porém o dever me chama. Só vim fazer uma visitinha
rápida.”
“Tudo
bem. Mas da próxima vez, você não escapa. Venha no final de semana, ok?”
“Certo,
eu me lembrarei disso.”
“Senhorita
Ávila, melhoras...” Ele me abarcou fortemente, antes que eu pudesse escapar de
tal momento e depois foi embora. Quando ele estava prestes a sair, Tessy chegou
da escola. Ela me viu na porta e soltou uma gargalhada alta.
“Nossa,
Ávila! Você tá direitinho um espantalho. Mãe, a senhora não viu isso? Ela na
certa assustou o coitado do policial bonitinho com essa feiura.”
“Não
fale assim de sua irmã. Tudo bem, ela é desajeitada mesmo, mas meça suas
palavras.” Não seria melhor minha mãe ter enfiado uma faca em meu peito ou ter
me dado um tiro logo?
“Não
precisa me defender. Coloque mais lenha na fogueira e queime a bruxa.” Eu
fiquei super envergonhada, porque provavelmente Lin ouviu tudo. Ele fingiu que
nada havia acontecido, acenou para nós e foi embora. Eu nunca mais queria me
encontrar com ele. Eu nunca mais queria sair do meu mundo. Eu queria morrer
enterrada nele. Por mais que minha barriga roncasse de fome, eu não queria
admitir isso. A fome era o menos importante. Eu desejava, apenas, dormir
eternamente e nunca mais acordar.
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