Lançamento do livro "Lilith Negra"- parte 1- As Ciências das Religiões e Lilith



Oi pessoal. Tudo bem? O meu próximo lançamento será o livro “Lilith Negra: Símbolos culturais em um debate intersemiótico”, oriundo a partir de uma dissertação de mestrado. Durante essa semana até o dia 31/10/2019, teremos alguns posts especiais sobre essa personagem Lilith. Hoje apresento a vocês, uma explicação inicial sobre As Ciências das Religiões e Lilith:

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Por meio deste livro, apontamos caminhos que desvendasse quem é a Lilith Iyapo, personagem da obra de ficção científica distópica Xenogenesis de Octavia Estelle Butler. O intuito foi demonstrar, por meio da Tradução Intersemiótica, de que maneira esta ficção literária encontra-se nitidamente referenciada no mito da personagem que rege certas narrativas religiosas do âmbito judaico-cristão, denominada de Lilith.

Inicialmente, revivemos a história do campo teórico/disciplinar das Ciências das Religiões e a definição do seu objeto: a religião, interligando com o objeto de estudo deste livro. Filoramo e Carlo Prandi (1999) alocam este campo de conhecimento numa perspectiva aberta e dinâmica, em razão da multiplicidade de fazeres religiosos, oriundo do processo de absorção e transformações culturais ao longo do tempo, que constituem o núcleo de um dos principais focos do estudo das Ciências das Religiões. 

Especialmente nas atuações culturais, que ocorriam esse desenvolvimento do que pode ser denominado de religião, comprovando o quanto a mesma teve profunda relação com a história do desenvolvimento humano e suas postulações sociais, políticas e ademais. Discutimos um conceito de religião mais ancorado com a cultura, conforme nos apontou Geertz (2008), entendendo-a como um sistema cultural de símbolos.

Sendo assim, desse composto cultural, do qual a religião também é seu regente, extraímos o mito daquela que é peça-chave do nosso estudo: Lilith.  Tal personagem encontra-se inserida no âmbito religioso, histórico, mitológico e literário que permitiram adentrar em um campo de discurso e de símbolos que nomeiam as várias características comportamentais desta Lilith.

Contudo, o primeiro passo adotado foi conceituar o mito e entender como as nuances desse acontecimento/história/narrativa/discurso estão presentes no fazer social, cultural do ser humano, que estão presentes no fazer sociedade e refletindo, pois, no mundo e no ser pertencente a este espaço de atuação. 

Dois teóricos contribuíram com seu entendimento sobre o mito: o primeiro, Eliade (1972), explicou como o mito funciona como um portal da realidade vivenciada, presente, atuante, gritante, ligado a uma experiência religiosa, inserido, por exemplo, em ritos que reafirmam a sua existência em comunhão com a vida humana, como forma reveladora também dos anseios, dúvidas e questões transcendentais da existência humana e dos deuses. 

Desde antes da escrita, nas pinturas das cavernas, na tradição oral, o mito esteve presente, pulsando como o coração daquela sociedade e de sua cultura.

Já para Jung (2000), a noção vinculativa dos mitos estava nos estudos dos arquétipos e seus símbolos atuantes na perspectiva construtiva desses mitos. Acrescentamos ainda que esses arquétipos ou “essas personalidades têm o poder de trazer respostas tonificadoras, que se encontram além do alcance do pensamento apenas abstrato” (HALLWASS, 2003, p. 08).


Referências:

FILORAMO, Giovanni; PRANDI, Carlo. Para um estudo científico da religião. In: As Ciências das Religiões. São Paulo: Editora Paulus, 1999.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Editora LTC, 2008.

ELIADE, Mircea. Mito e realidade. Tradução: Pola Civelli. São Paulo: Editora Perspectiva, 1972.

JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Tradução Maria Luíza Appy e Dora Mariana R. Ferreira da Silva. 2ª edição. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2000. 

HALLWASS, Andrea. Reflexões sobre a função psicológica do mito numa abordagem jungiana. Faculdade de Ciências da Saúde- FACS. Brasília, 2003. 



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