No meu calendário, decidi seguir a dica da Anna, em virtude de ainda nunca ter lido esse conto de Poe, que para mim, se revelou como uma leitura um pouco complicada, em virtude de seu caráter de inédito. Quando se lê Poe, não basta uma, duas ou três leituras. Aos poucos, os véus que antes não permitem certas compreensões vão se mostrando reveladores, quando encontramos certas intertextualidade.
A história: Dois anões apelidados de Hop-Frog (Rã saltitante) e Tripetta decidem se vingar do rei e de seus ministros, em virtude de constantes humilhações. A ocasião da vingança é no baile de máscaras que acontece no castelo. Hop-Frog propõe ao rei e aos seus ministros que vistam-se de orangotangos para o baile, co m o intuito de provocar tumultos entre as pessoas e arrancar boas risadas:
"Pouco depois o rei e os seus sete amigos, tendo vagueado pela sala em todas as direcções, acabaram por se encontrar no centro da sala e, logicamente, em contacto directo com a corrente. Enquanto ali estavam, o anão que os seguira sempre de perto, incitando-os a acautelarem-se com o burburinho, agarrou a cadeia que os mantinha na intersecção das duas partes que cruzavam diametralmente e em ângulo recto o círculo." p.09
Então, com a rapidez do pensamento, inseriu aí o gancho em que estivera pendurado o candeeiro; e num instante, como movida por um agente invisível, a corrente foi içada de forma que o gancho ficou fora do alcance e inevitavelmente arrastou consigo os orangotangos todos juntos e voltados uns para os outros. p.10
Os convidados, depois do susto, percebem tratar-se de uma brincadeira, e para Hop e Tripetta essa é a última oportunidade de vingar-se dos carrascos:
- Ah, ah! - disse finalmente o bobo furioso. - Ah, ah! Começo a ver quem é esta gente! - E então, a pretexto de examinar melhor o rei, chegou o archote à camada de linho que envolvia o monarca, a qual instantaneamente se transformou num manto de chama viva. Em menos de meio minuto os oito orangotangos ardiam violentamente entre os gritos da multidão, que lá em baixo assistia horrorizada sem poder prestar-lhes o menor auxílio. Finalmente a violência cada vez maior das chamas obrigou o bobo a subir mais alto na corrente para se colocar ao abrigo delas; e enquanto durou esse movimento a multidão voltou a cair em silêncio. O anão aproveitou a ocasião e voltou a falar.
Vejo agora nitidamente - disse - que espécie de gente são estes mascarados. São um grande rei e os seus sete conselheiros particulares; um rei que não sente escrúpulos em atacar uma rapariga indefesa e os seus sete conselheiros que o apoiam nas suas atrocidades. Quanto a mim, sou simplesmente Hop-Frog, o bobo, e esta é a minha última pantomima. p.11
Após tal ato, ambos desaparecem e nunca mais são vistos na cidade.
Minha interpretação: Este conto publicado em 1849 por Poe e pode também ser encontrado com o título "The Eight Chained Ourangoutange" fala da concepção do artista, na figura do anão, um bobo da corte, cuja as boas piadas o mantém a salvo da ira de seres inescrupulosos. Tal artista pode ser transportado para qualquer aspecto da modernidade, onde explora-se suas potências em uma verdadeira política do pão e circo, sem contudo, lhe dar crédito por ser quem é: um ser humano. A sua utilidade é portanto, somente ligada a diversão, humilhação.
Este conto de Poe está presente na música do artista Lou Reed (eu falei nesse artista em 2012 pra 2013 em meu blog Santuário do Metal, em uma série de reportagens especiais sobre Poe). E deixo como dica a música que refere-se ao conto e um poema de meu livro :
Well they call me a juicy hop-frog
You can see me in any wood bog
Don't you know that they call me the hop-frog
Hopping frog
I'm a hop-frog
A hop-frog
They call me the hop-frog
Hop, hop-frog
They call me the hop-frog
See me in any wood bog
Don't you know that call me a hop-frog
Hop-frog
They call me the hop-frog
See me in a wood bog
They're calling me a hop-frog
Hop-frog
You can see me in a ballroom
You can see me in a bedroom
You can see me in the woods
Hop, hop-frog
They call me the hop-frog
They call you the hop-frog
Well they call you the hop-frog
Hop, hop-frog
Frog
Conheça mais sobre meu livro, clicando na imagem abaixo:
Contos
da escuridão de um coração
Venha, minha doce
melodia infestar minha mente!
Venha, lembranças
destruídas, pedaços de minha vida...
Eu estou cansado de
tentar consertar suas mentiras
Parece que o mundo deve
girar ao teu redor
Eu quero gritar “Eu não
sou seu escravo!”
Parece que sou um brinquedo
em suas mãos
Eu gostaria de brincar
com cada sombra
Eu cantaria minha
triste canção até o fim dos tempos
Eu rezaria para que
ninguém chore minha morte
Contos
da escuridão de um coração
Apenas
me deixe sussurrar lentamente
Você
me mata com seus beijos
Contos
da escuridão de um coração
O
bobo garoto está queimando sua alma
Enquanto
você continua a respirar
Pare de violar meus
inocentes sonhos todo o tempo
Pare de dizer que eu
sou importante em sua vida
Sou um filho adotivo da
vida!
Será que você não vê?
No final, os dois lados
sofrem
As cartas na manga hão
de queimar sua pele
E as lágrimas ofuscarão
sua realidade
Eu permanecerei aqui
esperando o conforto que não vem
Eu apenas espero o
perdão de minhas culpas
Palavras não salvarão o
bem consumido por você
É inútil decifrar a
alma humana
Eu permanecerei afogado
nesse rio negro
Eu apenas me rendi a
magia do teu encanto
Oh medo! Tu que és
rodeado de palavras e mentiras
Como uma doença a me
consumir
É inútil ver o verme
que eu me torno por você!
No blog da Anna Costa e no facebook oficial do projeto, o conto escolhido para ser discutido este mês foi HOP-FROG

Acompanhe a discussão coletiva das impressões da primeira obra de Poe neste ano de desafio de leitura ;)


1 Comentários
Eu é que agradeço, pois para mim está sendo muito bacana poder conhecer obras de Poe que eu ainda não tive a oportunidade de ler, e em conjunto, a gente debate e compartilha conhecimentos acerca das reflexões sobre o que entendemos (ou não rsrs) dos mistérios que rodeiam os contos de Poe.
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